São seis e quinze da manhã. O despertador alarma um barulho desagradável e muito alto. O sol entra pela janela lateral e os pássaros cantam seus cantos tristes matutinos. Gabriel desliga o despertador, rola na cama quatro ou cinco vezes, põe um pano sobre os olhos e volta a dormir.
São sete e quarenta e cinco da manhã, Gabriel finalmente levanta da cama, apressado e atrasado para seu primeiro dia de aula. Passa pela cozinha pelo simples fato dela anteceder a porta principal. Não come nada, não toma banho, simplesmente molha o rosto, escova os dentes, veste uma calça e uma camiseta amassada e sai apressadamente. Na rua vê pessoas, vê motoristas enfurecidos, semáforos sinalizando a cor amarela, barulho de pneu queimando e o desagradável ruído de uma buzina acionada. O que estou eu fazendo nesse inferno, pensa Gabriel, que é de origem e criação campestre. Aos completos dezoito anos troca a companhia das vacas, dos bois ed as cabras por esses carros que passam fazendo barulho e soltando fumaça em proporções descomunais.
Finalmente chega à faculdade. Sai a procurar sua sala: 52, 54, 56... 58. Eis a sala de número 58, aula de introdução ao estudo da filosofia. Um pouco antes de entrar tenta melhorar sua aparência, pentear um pouco o cabelo tão desarrumado e checa seu hálito com a mão defronte a boca seguida de um assopro que lhe causa nojo. Joga uma bala de menta na boca, ergue os ombros e entra a sala, destemido, corajoso, confiante... Olha para um lado e outro, nada. Olha para a mesa do professor, um homem de meia idade sentado, com um livro em mãos. Onde estão todos, pergunta Gabriel. Todos quem? Se você fala de meus alunos, saíram faz cerca de quinze minutos. Minha aula não dura a manhã inteira garoto, respondeu seu mais novo professor, o primeiro com o qual ele entrara em contato. E o conteúdo da aula, pergunta o garoto. O conteúdo da aula foi dado, vê se amanhã chega na hora certa, fala o professor com cara de poucos amigos.
Segundo horário, sala 35. Lá vamos nós de novo: 31, 33 e 35... Eis a sala, a aula é história da filosofia. Poucos alunos em sala, o professor ainda não chegou. Gabriel checa novamente o cabelo e o hálito, que agora está um pouco melhor, graças à bala de menta. Ergue os ombros e entra a sala, destemido, corajoso, confiante. De longe avista uma bela garota, ruiva, cabelos cacheados à altura dos ombros, o sorriso mais belo por ele já visto, ela está sentada na última carteira da terceira fila. Ele caminha enquanto olha pra ela, tropeça numa das carteiras da primeira fila. Todos o observam, riem e voltam ao que estavam fazendo. Envergonhado, dirige-se à quinta carteira da última fila, bem distante da garota ruiva, mas continua a observá-la. Tira um livro qualquer da mochila, finge escrever alguns versos e os olhos na ruiva. A professora entra na sala, apresenta-se, dá uma introdução ao assunto por ela abordado durante o semestre, e os olhos na ruiva. Você, garoto!, exclama a professora. O colega ao lado dá-lhe um cutucão, Gabriel, então, olha pra frente. Sim, senhora, responde o rapaz mais uma vez envergonhado e mais uma vez os colegas põem-se a rir. Você é novato? Sim, sou. Seja bem vindo, fala a professora, bem mais acolhedora que o colega que leciona no horário anterior. Ah, outra coisa. Tenta tirar um pouco os olhos daquela moça que está na última carteira da terceira fila e olha um pouco pra mim. Minhas provas não são moleza, completa a professora e Gabriel, pela terceira vez torna-se assunto de riso e põem-se à vergonha.
Ao término da aula seu rumo é o de casa. Mas antes de levantar-se da carteira, volta os olhos para o fim da sala, procura, mas não encontra sua amada. Olha, rapidamente para a porta da sala e a vê indo embora, quase flutuando, com seus cachos pulando de um lado para o outro. Sem mais o que fazer na universidade busca o rumo de casa. Voltando as ruas a mesma coisa, semáforos amarelados, pneus queimados, buzinas soando freneticamente. Que inferno. Que saudades do campo. Sente um calor tremendo e se lembra da lagoa que havia atrás da sua casa, na qual tomava banho com os amigos nos dias quentes, logo depois do almoço.
Chegando à casa nova vai para debaixo do chuveiro, passa horas, depois cai duro na cama. Seus pensamentos alternam entre o caos da cidade grande, que mais parece para ele, um inferno e a garota ruiva, que mais lhe parece um anjo.
Trin.. trin... O telefone, logo na hora que ele tenta lembrar como era o rosto da garota.
Era seu melhor amigo: E aí, como se foi de aula? Como é a cidade? As pessoas foram legais com você? Gostaram de você?
É tudo tão perfeito, meu caro, e além do mais, tenho uma bela novidade. Acho que estou amando.
São sete e quarenta e cinco da manhã, Gabriel finalmente levanta da cama, apressado e atrasado para seu primeiro dia de aula. Passa pela cozinha pelo simples fato dela anteceder a porta principal. Não come nada, não toma banho, simplesmente molha o rosto, escova os dentes, veste uma calça e uma camiseta amassada e sai apressadamente. Na rua vê pessoas, vê motoristas enfurecidos, semáforos sinalizando a cor amarela, barulho de pneu queimando e o desagradável ruído de uma buzina acionada. O que estou eu fazendo nesse inferno, pensa Gabriel, que é de origem e criação campestre. Aos completos dezoito anos troca a companhia das vacas, dos bois ed as cabras por esses carros que passam fazendo barulho e soltando fumaça em proporções descomunais.
Finalmente chega à faculdade. Sai a procurar sua sala: 52, 54, 56... 58. Eis a sala de número 58, aula de introdução ao estudo da filosofia. Um pouco antes de entrar tenta melhorar sua aparência, pentear um pouco o cabelo tão desarrumado e checa seu hálito com a mão defronte a boca seguida de um assopro que lhe causa nojo. Joga uma bala de menta na boca, ergue os ombros e entra a sala, destemido, corajoso, confiante... Olha para um lado e outro, nada. Olha para a mesa do professor, um homem de meia idade sentado, com um livro em mãos. Onde estão todos, pergunta Gabriel. Todos quem? Se você fala de meus alunos, saíram faz cerca de quinze minutos. Minha aula não dura a manhã inteira garoto, respondeu seu mais novo professor, o primeiro com o qual ele entrara em contato. E o conteúdo da aula, pergunta o garoto. O conteúdo da aula foi dado, vê se amanhã chega na hora certa, fala o professor com cara de poucos amigos.
Segundo horário, sala 35. Lá vamos nós de novo: 31, 33 e 35... Eis a sala, a aula é história da filosofia. Poucos alunos em sala, o professor ainda não chegou. Gabriel checa novamente o cabelo e o hálito, que agora está um pouco melhor, graças à bala de menta. Ergue os ombros e entra a sala, destemido, corajoso, confiante. De longe avista uma bela garota, ruiva, cabelos cacheados à altura dos ombros, o sorriso mais belo por ele já visto, ela está sentada na última carteira da terceira fila. Ele caminha enquanto olha pra ela, tropeça numa das carteiras da primeira fila. Todos o observam, riem e voltam ao que estavam fazendo. Envergonhado, dirige-se à quinta carteira da última fila, bem distante da garota ruiva, mas continua a observá-la. Tira um livro qualquer da mochila, finge escrever alguns versos e os olhos na ruiva. A professora entra na sala, apresenta-se, dá uma introdução ao assunto por ela abordado durante o semestre, e os olhos na ruiva. Você, garoto!, exclama a professora. O colega ao lado dá-lhe um cutucão, Gabriel, então, olha pra frente. Sim, senhora, responde o rapaz mais uma vez envergonhado e mais uma vez os colegas põem-se a rir. Você é novato? Sim, sou. Seja bem vindo, fala a professora, bem mais acolhedora que o colega que leciona no horário anterior. Ah, outra coisa. Tenta tirar um pouco os olhos daquela moça que está na última carteira da terceira fila e olha um pouco pra mim. Minhas provas não são moleza, completa a professora e Gabriel, pela terceira vez torna-se assunto de riso e põem-se à vergonha.
Ao término da aula seu rumo é o de casa. Mas antes de levantar-se da carteira, volta os olhos para o fim da sala, procura, mas não encontra sua amada. Olha, rapidamente para a porta da sala e a vê indo embora, quase flutuando, com seus cachos pulando de um lado para o outro. Sem mais o que fazer na universidade busca o rumo de casa. Voltando as ruas a mesma coisa, semáforos amarelados, pneus queimados, buzinas soando freneticamente. Que inferno. Que saudades do campo. Sente um calor tremendo e se lembra da lagoa que havia atrás da sua casa, na qual tomava banho com os amigos nos dias quentes, logo depois do almoço.
Chegando à casa nova vai para debaixo do chuveiro, passa horas, depois cai duro na cama. Seus pensamentos alternam entre o caos da cidade grande, que mais parece para ele, um inferno e a garota ruiva, que mais lhe parece um anjo.
Trin.. trin... O telefone, logo na hora que ele tenta lembrar como era o rosto da garota.
Era seu melhor amigo: E aí, como se foi de aula? Como é a cidade? As pessoas foram legais com você? Gostaram de você?
É tudo tão perfeito, meu caro, e além do mais, tenho uma bela novidade. Acho que estou amando.
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