sexta-feira, 24 de junho de 2011

Poeminho ao amor próprio

Sabe, amor
Tu tens me confundido tanto
Na forma de outras pessoas
Acho até que tu nunca anunciou-se
Tudo tem sido devaneio
Coisa dessa minha cabeça maluca

Meu querido, esteja sempre comigo
Pois amando ou não outras pessoas
Quero amar, por partida, a mim mesmo
Pois eu sempre estarei comigo
Diferente das demais pessoas da vida
Que passam e vão embora

Deixam cá um bocado de si
Levam consigo um bocado de mim
Amor, pra ser sincero contigo
Queria eu esquecer alguns bocados
Certas pessoas recebem de outras um quinhão desmerecido
Emolduram-se, fazem ofertas e propostas traiçoeiras

Então, caro amor
Termino esse poeminho
Querendo ficar feliz aqui pelo meu cantinho
Quero amores fora o meu
De amigos, garotas, pessoas, mas que não acabe com o badalar do relógio
Enquanto isso qu’eu faça da vida um poeminho ao amor próprio

segunda-feira, 20 de junho de 2011

O cupido fúnebre

Aqui, em sua cidade, existe algo que proíba primos de terem relações? Pois eu só penso em beijá-la, em transar com ela, falava ele junto ao túmulo de seu tio. Era ele, um homem já não mais tão jovem, que tinha, porém, o charme de um jovem francês que o inundava. Mas ao invés da combinação clichê de boina e bigodinho, ele era detentor de óculos de graus e barba por fazer.
Encontravam-se ambos na antiga fazenda de seu tio. Sim, ambos. Era ele e sua prima, sua pretendida prima. Aliás, nenhum documento comprovava que ela era realmente sua prima, que ela era sequer da sua família. O que fazia com que ele se perguntasse de onde aquela mulher havia surgido. Por que aparecera somente agora, com o falecimento de seu pai. E sua mãe, quem seria? Por mais que essas perguntas não tivessem respostas prévias, de uma coisa ele sabia, se for ela uma impostora, uma usurpadora, a fim, apenas de pôr as mãos nos bens de seu tio, melhor ainda, pois, assim, não haveria parentesco algum que fizesse dormir inquietamente, sem saber se era correto ou não dormir ao lado daquela mulher, que tanto lhe tira o fôlego, que lhe faz pensar em uma só pessoa durante todo o dia. Quando não está pensando nela está pensando no tio, e no que ele diria sobre isso tudo.
Como bom galanteador que o falecido era, podia ele dizer, não perca tempo homem. Só você e ela nessa fazenda, saiba que eu nunca passei uma noite de solidão, ela está sentada na cama, fingindo ler algum livro, esperando você bater a porta e convidá-la para um drink, para uma conversa, para uma noite juntos. Como homem vivido e maduro seu tio também poderia responder, você não me respeita rapaz? Tantas mulheres por aí, por essa cidade, maluquinhas para cair em tentação com você, e você deseja logo sua prima, minha filha. Ele encontrara-se dividido, por suposições extremamente contrárias. Uma de gozo, outra de seriedade. Pelo sim, pelo não, preferiu parar de pensar nisso tudo. Afinal, o velho já não estava mais vivo. Havia batido as botas e nunca mais saberia qual a sensação de sentir-se seduzido. Mas quando chegou a essa conclusão já era tarde. Provavelmente sua suposta prima já havia fechado o livro, apagado a luz da cabeceira, vestido alguma roupa mais leve e entraria em mais uma noite de sono, sem que a tão esperada visita tivesse sido realizada. Pode ser também que ela esteja realmente lendo algum livro que a prende até horas da noite em um romance, ou em alguma aventura policial. Ela pode já estar com bobs nos cabelos, creme no rosto e vestida com uma camisola que mais parecera ser de sua avó. Uma cena na qual, aparentemente, ela não estava realmente esperando tal visita inesperada.
Pela manhã separou dois cavalos do celeiro. Em um pôr uma sela velha, a qual usava quando criança, quando visitava a fazenda do tio, antes de virar um homem de negócios. No outro cavalo pôr uma sela nova e acolchoada. Esperou-a, ansiosamente, descer de seu quarto, para convidá-la a um passeio. Depois de uma hora de espera viu que o dia já estava ficando quente e não tão propicio a um passeio a cavalo. Perguntou a um dos funcionários da fazendo onde ela se encontrava. O jovem rapaz respondeu-lhe que ela havia saído de casa cedo, junto da cozinheira da casa, para fazer as compras da semana. O almoço daquele dia estava por sua conta. Com a informação ele pôs em sua mente que devia, na hora da refeição, elogiar a comida.
Passou pelas plantações, pelo galinheiro e pelo açude da fazenda. Lembrou de todos seus momentos vividos ali, em sua infância, recordou de onde haviam surgido algumas de suas cicatrizes, das quais já havia esquecido a origem, e pensou seriamente em nunca mais voltar para a cidade. Nunca mais ter de fechar negócios milionários e passar finais de semanas trabalhando. Pensou, também, em ir à missa ao domingo. Já que estava na fazenda por tempo indeterminado e que o desejo de por ali ficar era realmente sedutor.
Quando retornou a casa viu, finalmente, sua prima, enteada, namorada, futura esposa, sabe-se lá o que é dele essa mulher. Só sei que ele estava perdido, perdido de amores. Perguntou-a como havia sido o dia. Ora, mas o dia mal começou você já quer saber como ele foi. Apesar da resposta abusada ela conseguiu falar essas palavras com uma ternura jamais vista por ele, pôs na boca ainda, ao final da fala, um leve sorriso, seguido de uma piscadela.
No almoço perguntou a moça de onde ela vinha o que fazia e como sua mãe conhecera seu tio. Ela dizia ser do estado vizinho, era corretora de imóveis e que sua mãe havia sido uma paixão na vida do agora defunto, e que antes de morrer seu pai não havia ficado sabendo de sua existência, nem ela da existência dele. Completou dizendo que só responderia mais alguma de suas perguntas na presença de seu advogado, tentou ficar séria, mas pôs-se a rir. Ele entendeu a piada, entretanto, ficou desconfiado, calando-se, assim, durante o restante do almoço. Não teve coragem nem de elogiar o a refeição.
Ao entardecer os dois estavam na varanda da casa. Era um momento único, que não havia ocorrido antes, desde o dia anterior, que foi quando ela chegou. Até quando você pretende ficar, perguntou-lhe. Até amanhã, respondeu ela observando o sol se escondendo e o céu, que possuía uma mistura de cores, ora vermelho, ora dourado, e o que era mais encantador ainda, ora ambas as cores. Catou uma rosa, pegou em suas mãos, colocou-a em uma delas e na outra deu um beijo úmido, para o qual precisou de muita coragem. Fique durante mais algum tempo, falou olhando em seus olhos, que eram verdes, até onde ele tinha conhecimento, mas com o reflexo do céu parecia ser cor de mel, o que os deixavam mais bonitos ainda, deixava-a mais encantadora. Eles subiram ao quarto que ele estava instalado, antigo quarto de seu tio, provável pai da moça, e tiveram uma grande noite. Foi uma noite tão diferente da última, que havia sido passada em cômodos diferentes e solitária. Quando acabou o que eles estavam fazendo, e ele estava por pegar no sono, pensou o quanto errado poderia ser o que eles haviam acabado de fazer, pensou nisso sem a quantidade mínima de culpa. Depois desses pensamentos adormeceu.
Ao amanhecer, acordou junto ao canto do galo. Percebeu que com aqueles dias passados na fazenda o galo, aquele mesmo galo, passara a ser seu despertador, que anteriormente era uma caixinha verde, que só funcionava com o auxilio de pilhas as quais tinha de trocar semanalmente. Perguntou-se se o galo era seu despertador, quem havia de ser o despertador do galo. Aquele animal de vozeirão incansável e que sempre surgira tão pontualmente em suas manhãs, nunca deixando a desejar em seu ofício matinal.
Logo após a reflexão percebeu que ela havia saído de sua cama bem antes dele. Foi em seu quarto, mas suas malas não estavam mais lá. Perguntou, aos funcionários onde ela se encontrava, eles responderam que havia saído bem cedo, antes do cantar do galo. O galo, coitado, que não possuía culpa alguma. Não podia ele, também, cumprir o papel de dedo duro e cocorocar antes do tempo previsto para avisá-lo que ela estava partindo. Ela havia viajado, voltado a casa, aquela confusão com a morte do seu pai havia deixado-a exausta, pensou ele. Tirou um tanto de tabaco um bolso, um papel do outro, e fez, desastrosamente, um cigarro de fumo. Antes do café da manhã pôs-se a pensar se para ela aquela noite não havia passado de uma aventura, ou de um passatempo. Já que ambos estavam sozinhos, sem fazer nada, naquela fazenda tão grande. Durante o dia ocupou-se com as atividades da fazenda e foi à cidade comprar ração para alguns animais.
Quando deitou para dormir não parou de pensar na moça, em sua possível prima, em sua possível esposa, naquela desconhecida que havia furtado seu sono e ido embora. Até que o galo veio, mesmo sabendo que ele não havia dormido durante um segundo. Assim foi durante uma semana inteira. O galo, que antes era seu ídolo, objeto de admiração, passara a ser visto como um chato, que não tinha nada mais interessante a fazer do que acordar todas as manhãs bem cedo para perturbar seus pensamentos de desamparo.
Até que em uma manhã, exatamente oito dias depois, a mulher surpreendeu-o, reaparecendo na fazenda, agora com mais malas que da primeira vez. Eu pensei que você não voltaria, pensou ele. Eu só tinha de tratar de alguns problemas, pagar por algumas contas e vender dois ou três apartamentos. Então, você retorna quando, dessa vez, perguntou ele, ansioso e assustado. AH! Não sei. Talvez nunca mais, respondeu-lhe, sorrindo. Então eles deixaram de lado a hipótese de serem primos, enteados, ou qualquer coisa do tipo. Afinal o tio de um e possível pai de outro já estava morto e nada poderia fazer em relação ao ocorrido. 

domingo, 12 de junho de 2011

Gabriel

São seis e quinze da manhã. O despertador alarma um barulho desagradável e muito alto. O sol entra pela janela lateral e os pássaros cantam seus cantos tristes matutinos. Gabriel desliga o despertador, rola na cama quatro ou cinco vezes, põe um pano sobre os olhos e volta a dormir.
São sete e quarenta e cinco da manhã, Gabriel finalmente levanta da cama, apressado e atrasado para seu primeiro dia de aula. Passa pela cozinha pelo simples fato dela anteceder a porta principal. Não come nada, não toma banho, simplesmente molha o rosto, escova os dentes, veste uma calça e uma camiseta amassada e sai apressadamente. Na rua vê pessoas, vê motoristas enfurecidos, semáforos sinalizando a cor amarela, barulho de pneu queimando e o desagradável ruído de uma buzina acionada. O que estou eu fazendo nesse inferno, pensa Gabriel, que é de origem e criação campestre. Aos completos dezoito anos troca a companhia das vacas, dos bois ed as cabras por esses carros que passam fazendo barulho e soltando fumaça em proporções descomunais.
Finalmente chega à faculdade. Sai a procurar sua sala: 52, 54, 56... 58. Eis a sala de número 58, aula de introdução ao estudo da filosofia. Um pouco antes de entrar tenta melhorar sua aparência, pentear um pouco o cabelo tão desarrumado e checa seu hálito com a mão defronte a boca seguida de um assopro que lhe causa nojo. Joga uma bala de menta na boca, ergue os ombros e entra a sala, destemido, corajoso, confiante... Olha para um lado e outro, nada. Olha para a mesa do professor, um homem de meia idade sentado, com um livro em mãos. Onde estão todos, pergunta Gabriel. Todos quem? Se você fala de meus alunos, saíram faz cerca de quinze minutos. Minha aula não dura a manhã inteira garoto, respondeu seu mais novo professor, o primeiro com o qual ele entrara em contato. E o conteúdo da aula, pergunta o garoto. O conteúdo da aula foi dado, vê se amanhã chega na hora certa, fala o professor com cara de poucos amigos.
Segundo horário, sala 35. Lá vamos nós de novo: 31, 33 e 35... Eis a sala, a aula é história da filosofia. Poucos alunos em sala, o professor ainda não chegou. Gabriel checa novamente o cabelo e o hálito, que agora está um pouco melhor, graças à bala de menta. Ergue os ombros e entra a sala, destemido, corajoso, confiante. De longe avista uma bela garota, ruiva, cabelos cacheados à altura dos ombros, o sorriso mais belo por ele já visto, ela está sentada na última carteira da terceira fila. Ele caminha enquanto olha pra ela, tropeça numa das carteiras da primeira fila. Todos o observam, riem e voltam ao que estavam fazendo. Envergonhado, dirige-se à quinta carteira da última fila, bem distante da garota ruiva, mas continua a observá-la. Tira um livro qualquer da mochila, finge escrever alguns versos e os olhos na ruiva. A professora entra na sala, apresenta-se, dá uma introdução ao assunto por ela abordado durante o semestre, e os olhos na ruiva. Você, garoto!, exclama a professora. O colega ao lado dá-lhe um cutucão, Gabriel, então, olha pra frente. Sim, senhora, responde o rapaz mais uma vez envergonhado e mais uma vez os colegas põem-se a rir. Você é novato? Sim, sou. Seja bem vindo, fala a professora, bem mais acolhedora que o colega que leciona no horário anterior. Ah, outra coisa. Tenta tirar um pouco os olhos daquela moça que está na última carteira da terceira fila e olha um pouco pra mim. Minhas provas não são moleza, completa a professora e Gabriel, pela terceira vez torna-se assunto de riso e põem-se à vergonha.
Ao término da aula seu rumo é o de casa. Mas antes de levantar-se da carteira, volta os olhos para o fim da sala, procura, mas não encontra sua amada. Olha, rapidamente para a porta da sala e a vê indo embora, quase flutuando, com seus cachos pulando de um lado para o outro. Sem mais o que fazer na universidade busca o rumo de casa. Voltando as ruas a mesma coisa, semáforos amarelados, pneus queimados, buzinas soando freneticamente. Que inferno. Que saudades do campo. Sente um calor tremendo e se lembra da lagoa que havia atrás da sua casa, na qual tomava banho com os amigos nos dias quentes, logo depois do almoço.
Chegando à casa nova vai para debaixo do chuveiro, passa horas, depois cai duro na cama. Seus pensamentos alternam entre o caos da cidade grande, que mais parece para ele, um inferno e a garota ruiva, que mais lhe parece um anjo.
Trin.. trin... O telefone, logo na hora que ele tenta lembrar como era o rosto da garota.
Era seu melhor amigo: E aí, como se foi de aula? Como é a cidade? As pessoas foram legais com você? Gostaram de você?
É tudo tão perfeito, meu caro, e além do mais, tenho uma bela novidade. Acho que estou amando.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Afinal, o que é o amor?

Alguns dizem que amar é doar-se ao outro sem nada pedir em troca. Pelo simples prazer de entregar-se. Quem ama nada exige, nenhum sentimento de reciprocidade. É nisso que alguns acreditam. Existe também o amor Ágape, que diz que devemos amar uns aos outros como a nós mesmos. Mas esse amor é de outro tipo. Vivido por Jesus Cristo, amor à humanidade.
Há quem diga também que amar é sofrer, sofrer e sofrer sem limites. Ora! Você deve estar se perguntando, então: e essas garotinhas modernas que arrumam um namorado por semana, cada um mais babaca e bombado  que o outro? Elas não sabem o que é o amor? A resposta é não meu camarada. Aliás, quem há de saber o que é, verdadeiramente, o amor? Esse misterioso sentimento tão buscado e quando encontrado tão confundido.
Pra mim o amor só existe com calor, paixão, alegria, tristeza e sofrimento. Você deve estar pensando. O sofrimento, eis a parte ruim de tudo isso. Por que sofrer, ó Deus? Por que eu? Bobagem. Quem foi que disse que o ato de sofrer é totalmente maléfico? Quem sofre é por que foi capaz de se permitir, de deixar alguém entrar em sua vida e mexer nela. Só sofre quem está vivo. Assim como só ama quem está vivo. Ora! Já sei. O amor é um pêndulo que balança bem ao seu próprio gosto e tempo, entre o amor e o ódio, a razão e a emoção, a lucidez e a loucura.
Por isso meus caros que o sofrer faz parte disso tudo. E digo mais. Se existisse um livro chamado “O estatuto do amor” teria de conter nele um artigo tornando necessário o sofrer a quem ama. Assim como teria de ser necessário o ser feliz, o sorrir, o estar bem – mas disso ninguém reclama- quanto a isso todo mundo acha que está corretíssimo viver. Alguns acham tanto que chegam a confundir aventura com amor. Quem ama suporta os momentos de êxtase e os momentos mais ordinários. Quem ama não está a afagar sua cabeça só quando você detém um sorriso bobo e olhos de encanto. Quem ama deveria seguir a passagem bíblica criada especialmente para o nosso querido “Estatudo do amor” que diz: quem ama há de permanecer ao lado da pessoa amada, nos momentos de angústia e nos de prazer. Não para todo o sempre, contudo, enquanto o amor vigorar.
E as mulheres- ah!  as mulheres- esses seres tão difíceis de compreender. A maioria delas cisma em arrumar um canalha para suas vidas e sofrem e choram e enfeitam suas cabeças a dizer: ele vai mudar, ele prometeu que essa vez foi a última e vai mudar. Outra lembrança do nosso querido estatuto: “quem ama nessa vida por que há de trair?” Se você tem a pessoa amada ao lado, por que buscar outra? – “Mas meu amor, eu transei com ela pensando em você.” A mulher faz uma carinha de triste e aceita. Ao invés de perguntar: “por que você não transou comigo porra?” É um grande desencanto feminino querer concertar quem nasceu pra vadiagem. Se elas tanto sofrem, se elas tanto querem um homem direito por que não encontram logo um de boa índole? A única justificativa que passa pela minha cabeça é a de que a mulher busca mérito através disso. Um dia ela pretende bater no peito a dizer- Eu ajeitei esse homem. Hoje ele é só meu. – Só pode ser isso. Não existe outra justificativa.
Afinal, minhas queridas, uma coisa é sofrer por amor, outra, totalmente diferente, é sofrer por burrice.
O amor é um fogo a muitos inatingível, a outros temido e aos derradeiros aqui citados- os românticos- tão buscado quanto hora confundido. Mas a vida continua e nós continuamos cá, sem saber exatamente do que se trata o amor. Será ele um sentimento de entrega, no qual nada exige quem ama do ser amado? Será o pêndulo por mim arduamente defendido, com direito a estatuto e tudo mais? Ou será algo desconhecido e nós, pobres bobões, teimamos em entendê-lo e decifrá-lo, ao invés de senti-lo?