Olho pela janela e vejo um sol lindo e radiante, uma cozinha não tão farta, mas por opção própria. Atrás o sofá com um livro de Carl Rogers aberto, usando o controle remoto para separar as páginas lidas das não lidas. Que paz, que aconchego.
Enquanto isso há vidas lá fora. - POFF: é o som do gatilho sendo puxado- Agora, muito provavelmente, uma a menos.
Enquanto nós – eu e você - gozamos esse momento de paz em nossos lares seguros, cercados de muros e funcionários apostos a nos defender. Lá fora um mundo que é de verdade cai aos pés de quem está tentando voltar para casa e desfrutar da mesma paz. E nós, enquanto isso? Em nossas redes sociais falando do tédio e de como é chato não poder sair para beber com os amigos ou se entediar fora de casa. Falamos com algum colega o quanto o Brasil é um país vergonhoso e subdesenvolvido. – Não esqueçam que o carnaval está chegando e aí sim nós temos de nos orgulhar desse país tão lindo e repleto de belezas naturais, onde é festa o ano inteiro e as bundas não cansam de saltar nos programas de TV.
Esse é o Brasil que nós queremos e não o Brasil das greves e das incertezas. Ser visto como um país de ignorantes felizes é relativamente reconfortante e motivo de orgulho aos ignorantes felizes que aqui vivem.
Se colocado em pauta for o seu professor do ensino médio que luta por melhores direitos ou a falta de moral de toda uma população que por não ter supervisão faz da cidade inteira um caos – deixando de lado os carnavais e as micaretas -, aí sim, tendo como ponto de vista este aspecto, você queria mesmo era ser europeu.
E pessoas como eu sentem vergonha. Vergonha de quê? Vergonha da sua vergonha de não ser o que é e ver de uma perspectiva medíocre uma vida melhor do outro lado do oceano.
O fato é que prostitutas postas em vitrines e pessoas fumando maconha e transando em praça pública é bonito na Europa, se isso fosse em Fortaleza seria coisa de nordestino desocupado que não respeita ninguém.
Vale lembrar uma coisa. Enquanto você, que tem melhores condições de vida e piores condições intelectuais, olha para as ruas e enxerga pessoas pobres e desocupadas cheio de preconceito, lá fora, na Europa, as pessoas olhariam para você só como mais um brasileiro que provavelmente gosta de samba e veio de alguma aldeia. Lá brasileiro é brasileiro e o preconceito é o mesmo. Não existe um preconceito acentuado ao nordestino ou ao de pele escura.
Então, aproveite esse dia de tédio e pense no quanto a moral é inexistente e no quanto as pessoas fazem de uma cidade um caos pelo fato de não haver lei durante um dia. E permita-se se perguntar se você não faria o mesmo.
Você, moça bonita, se estivesse em frente a uma loja de sua grife favorita, sem nenhum funcionário, e pudesse pegar aquela bolsa belíssima sem que ninguém percebesse, o que você faria? Agora imagine pessoas que não têm um simples aparelho de TV ou uma despensa abarrotada de comida, assim como a sua. O que essas pessoas fariam se durante um dia o inferno caísse sobre a Terra e as leis não existisse, os supermercados fossem alvos fáceis e de livre acesso. O que elas fariam? A resposta está nas ruas e nos telejornais. A resposta também está em seus protestos hipócritas e superficiais na página do seu facebook.
Agora, se você me perguntar o que eu acho disso tudo. Eu não acho nada. Vou ficar em casa e me entediar na companhia de algum livro ou algum filme enquanto as coisas se acertam.
Enquanto isso há vidas lá fora. - POFF: é o som do gatilho sendo puxado- Agora, muito provavelmente, uma a menos.
Enquanto nós – eu e você - gozamos esse momento de paz em nossos lares seguros, cercados de muros e funcionários apostos a nos defender. Lá fora um mundo que é de verdade cai aos pés de quem está tentando voltar para casa e desfrutar da mesma paz. E nós, enquanto isso? Em nossas redes sociais falando do tédio e de como é chato não poder sair para beber com os amigos ou se entediar fora de casa. Falamos com algum colega o quanto o Brasil é um país vergonhoso e subdesenvolvido. – Não esqueçam que o carnaval está chegando e aí sim nós temos de nos orgulhar desse país tão lindo e repleto de belezas naturais, onde é festa o ano inteiro e as bundas não cansam de saltar nos programas de TV.
Esse é o Brasil que nós queremos e não o Brasil das greves e das incertezas. Ser visto como um país de ignorantes felizes é relativamente reconfortante e motivo de orgulho aos ignorantes felizes que aqui vivem.
Se colocado em pauta for o seu professor do ensino médio que luta por melhores direitos ou a falta de moral de toda uma população que por não ter supervisão faz da cidade inteira um caos – deixando de lado os carnavais e as micaretas -, aí sim, tendo como ponto de vista este aspecto, você queria mesmo era ser europeu.
E pessoas como eu sentem vergonha. Vergonha de quê? Vergonha da sua vergonha de não ser o que é e ver de uma perspectiva medíocre uma vida melhor do outro lado do oceano.
O fato é que prostitutas postas em vitrines e pessoas fumando maconha e transando em praça pública é bonito na Europa, se isso fosse em Fortaleza seria coisa de nordestino desocupado que não respeita ninguém.
Vale lembrar uma coisa. Enquanto você, que tem melhores condições de vida e piores condições intelectuais, olha para as ruas e enxerga pessoas pobres e desocupadas cheio de preconceito, lá fora, na Europa, as pessoas olhariam para você só como mais um brasileiro que provavelmente gosta de samba e veio de alguma aldeia. Lá brasileiro é brasileiro e o preconceito é o mesmo. Não existe um preconceito acentuado ao nordestino ou ao de pele escura.
Então, aproveite esse dia de tédio e pense no quanto a moral é inexistente e no quanto as pessoas fazem de uma cidade um caos pelo fato de não haver lei durante um dia. E permita-se se perguntar se você não faria o mesmo.
Você, moça bonita, se estivesse em frente a uma loja de sua grife favorita, sem nenhum funcionário, e pudesse pegar aquela bolsa belíssima sem que ninguém percebesse, o que você faria? Agora imagine pessoas que não têm um simples aparelho de TV ou uma despensa abarrotada de comida, assim como a sua. O que essas pessoas fariam se durante um dia o inferno caísse sobre a Terra e as leis não existisse, os supermercados fossem alvos fáceis e de livre acesso. O que elas fariam? A resposta está nas ruas e nos telejornais. A resposta também está em seus protestos hipócritas e superficiais na página do seu facebook.
Agora, se você me perguntar o que eu acho disso tudo. Eu não acho nada. Vou ficar em casa e me entediar na companhia de algum livro ou algum filme enquanto as coisas se acertam.
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