terça-feira, 20 de setembro de 2011

Um bem menos poeta

Os homens são lentos
Tão lentos que demoram a perceber
Quando a mulher que deseja
Também o deseja
Com mesmo pudor e paixão
Ao invés de correr e trancá-las em seus braços

Ficam a sofrer
E lamentar o fardo carregado
De não ter ao lado a mulher que sonha
A mulher que deseja
A mulher que está bem ao seu lado desejando o mesmo
Desejando que ele perceba o quanto seus olhos brilham ao encontrá-lo

E o quanto aquele café prolongou-se não, simplesmente, por que ela não queria ir embora
Mas por que queria, ela, ficar um bocado mais em sua companhia
Também não percebe o quanto ela faz questão de esnobar outrem
Que possa cruzar seus caminhos
Deixando logo a desesperança e a solidão a um terceiro
E o tolo, o que vê?

Sua bela amada cobiçada não só por ele
Mas por outros cavalheiros
E traz para si o fardo de não poder possuí-la
Pois é, ele, apenas mais um sonhador
Que sonha com a mulher perfeita
A mulher que está tão perto e ao mesmo tempo tão longe

E assim ela cansa
Cansa de esperar
Cansa de dar sinais
Cansa de jogar seu charme
Cansa de ser engraçada durante dias
E de tentar agradá-lo, por mais que ele não perceba

E o tolo homem?
Cansa de ser tolo
E põem-se a declaram-se a mulher amada
Põe-se a fazer juras de amor
Põe-se a falar daquele amor há tanto reprimido
Posto para fora com um vagão ou outro de atraso

A bela mulher
Sem nada mais poder fazer
Explica-lhe tudo
O quanto aguardou esse galanteio
E o quanto pode ter sido melhor
Que ele tenha ocorrido tardiamente

Pois em sua memória e em seu peito
Já existe outro cavalheiro
Um bem menos tardio
Um bem menos atrasado
Um bem menos pateta
Um bem menos poeta

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Observação: Sim, não existe lá muita concordância entre singular e plural entre um estrofe e outro. Contudo, essa foi a melhor forma na qual a poesia se anunciou.

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