sexta-feira, 19 de novembro de 2010

O nascimento de um poeta


Talvez eu tenha nascido do ócio
Minha mãe, numa noite bela
Chamou meu pai para se divertirem
Beberam, brindaram
Sorriram, se amaram
Os ventos traziam a  dona cegonha

Que passava apressada
E cheia de encomendas
Escolheram-me a dedo
Banharam-me a ouro
levei vida de rei
sou tido como tesouro

fui criança, brinquei, sorri
fui adulto, me apaixonei, chorei
a velhice anda tão longe
ainda não se anuncia
a morte, futuro de todos nós
ainda não me veio à cabeça

escrevo estes derradeiros versos pensando
E se não fosse aquela noite
E se não fosse aquele gozo(apaixonado)
E se a cegonha não tivesse vindo
Estaria eu aqui
Brincando de ser poeta?